quarta-feira, 4 de março de 2009

O caminho para ser político

Porque são todos os políticos corruptos?
Para que responder a esta pergunta há que examinar o percurso a que se submetem os candidatos a políticos. Vamos imaginar que somos um jovem de vinte e poucos anos, com espírito crítico e vontade de actuar. É irrelevante a inclinação política (esquerda ou direita tanto faz). O que interessa é a vontade de actuar e fazer algo de diferente e criar algo melhor.
Ingressamos no partido e descobrimos que do ponto de vista político não somos ninguém e que as nossas ideias de pouco ou nada valem.
Na guerra política o poder e a imagem valem tudo. Ora para se adquirir ou criar estes dois é necessário apoio pois não somos os únicos na corrida.
Ao pedir-mos colaboração pedem-nos algo em troca que não temos que pagar imediatamente. a isto chama-se um Favor.
Esse favor vai dar-nos um pouco de poder. Ora dois mais dois são quatro e quanto mais favores nos fizerem mais poder adquirimos. A partir do momento que adquirimos poder podemos também prestar favores. A isto chama-se o sistema de favores e é a base da política democrática portuguesa.

Portanto, se são favores um dia serão cobrados e aí temos duas escolhas pois ou usamos o bom-senso e negamos esse favor mas dizemos adeus à nossa carreira política ou o aceitamos e começamos a trabalhar a favor dos interesses de alguns em vez dos interesses da maioria.
Como também prestamos favores para alcançar os nossos objectivos vamos começar a cobrá-los e assim integramo-nos completamente na rede.
Por fim, um jovem honesto torna-se um político corrupto apenas pelo facto da sua ambição se cruzar com uma rede muito maior que ele.

Todo este cenário é supondo que começamos honestos. A rede de favores é um meio extremamente atractivo para pessoas corruptas que querem salta o sistema.
Se um dia o jovem for ministro das obras publicas e o seu objectivo de vida for construir uma cidade usando planeamento urbano correcto, nunca o conseguirá pois as construtoras que o apoiaram é que decidirão onde querem e o que querem construir. Ou então quando uma grande obra publica é feita quem ganha o concurso público não é a melhor construtora pelo melhor preço mas a que mais favores prestou ou a que mais favores tem a exigir.

Tenho medo de quantos políticos actualmente serão genuinamente políticos e não gestores de favores.
A solução para isto fica para outro vez.

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