terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Do animal ao consumista

Na natureza existem dois grandes tipos de animais: os predadores/caçadores e os recolectores. O homem primordial é designado como caçador/recolector e dada a sua elevada inteligência adquiriu uma elevada capacidade de adaptação à qual mais nenhum animal no planeta se conseguiu equiparar. Assim a raça humana espalhou-se pelo mundo e deixou os seus hábitos de caçadores/recolectores para trás e criou um novo grupo, o de Produtor, subjugando o crescimento e desenvolvimento de outras espécies (animais e vegetais) à sua vontade.
Ora, muitos milhares de anos passaram e o que mudou? Ao longo do tempo refinou-se a capacidade de produção pelo que a quantidade e a variedade dos produtos produzidos levaram a um consumo constante. Surgiu assim o fenómeno do Consumismo (presente apenas nas sociedades industrializadas capitalistas, não falo como é claro dos países de 3º mundo que não conseguem ter sequer uma boa capacidade de produção).

Nas sociedades produtoras o poder era obtido pela força, pois a quantidade era poder e quanto mais se tivesse mais poderoso se seria, pelo que a guerra por propriedade era constante.
No consumismo a quantidade deixa de ser importante, pois a maioria dos bens está ao acesso da maioria da população, logo a gestão do poder deve ser feita de outra maneira. O poderoso deixa de ser aquele que possui mais mas aquele que controla melhor o instinto consumista. A publicidade é o método mais conhecido para influenciar as mentes ao consumo.
A variedade é outro instrumento. Embora necessária para o estabelecimento da qualidade de vida, a elevada diversidade de produtos leva ao desejo de consumo.
Pois bem, o ser humano viciou-se no consumo, não consegue viver sem ele, todos os seus hábitos direccionam-se para o consumo (alimentação, lazer, trabalho...).
Assim quem controlar o consumo, controla a forma como a sociedade funciona.
Surge o problema de quando a sociedade entra em crise, o poder de compra diminui e por consequência a capacidade de consumo também diminui. Como todo o viciado, o humano procura uma nova dose do produto e como não consegue aí surge a revolta e a indignação.
Para quem controla isto pode parecer mau, mas é a falta do consumo que permite direccionar as mentes para onde se quer, pois as mentes mudam na esperança do tempo de consumo voltar.
A mente presa no consumo não quer mudar pois gosta do que está a consumir, mas a mente com falta de consumo muda para onde os órgãos de poder apontarem que está o consumo.
Como consumista de nascença procuro contrariar esta tendência, a minha mente deve procurar a mudança segundo o seu espírito crítico, não pela esperança cega nas promessas de que o tempo das vacas gordas vai voltar.

3 comentários:

  1. Não vejo o consumo como forma de poder, mas antes como forma de afirmação. Consumismos para ocupar um vazio que temos, seja ele de que ordem for. As pessoas que consumem demasiado, portanto, que têm demasiado não são as mais felizes, mas aquelas que não estão realizadas.
    Quantos homens e mulheres, ao longo da história, se despojaram de grandes fortunas para servir o outro, o bem comum? Muitos. Os mais conhecidos por nós, muitas vezes são considerados santos.
    Portanto, o consumismo não é forma de poder, mas o inconsciente a dizer que falta qualquer coisas. O poder é a capacidade de dizer não. Aí é que somos fortes e os outros reparam em nós como diferentes. O dinheiro é essencial, mas é necessário saber respeitá-lo.
    Ant. Valdemar Ribeiro

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  2. O consumismo é característica da raça humana actual. É característica de uma sociedade democrática e livre, sendo o acto de consumir livremente (desde que respeitando a liberdade dos outros) um direito de cada um.
    Mas tudo tem um outro lado e vejo não o consumismo, mas a sua manipulação como mais um instrumento de controlo da vontade das massas pelos órgãos de poder.
    o que peço é apenas que as pessoas tenham espírito crítico em relação ao porquê do que consomem...
    Obrigado pelo comentário

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  3. Concordo com o atribuir à raça humana dos países desenvolvidos a característica de consumista. Concordo plenamente. Mas essa ideia não colide com a que apresentei: o consumismo não deixa o preencher de um vazio pessoal que a sociedade industrial vai desenvolvendo. Ora quanto mais desenvolvido o país, mas consumista se torna e as pessoas mais vazias, sem identidade. Aqui entram algumas mentes que tentam controlar a população. Será que o homem não começa a ser controlado pela máquina e pelo consumismo?

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